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O câncer é definido como uma enfermidade multicausal crônica, caracterizada pelo crescimento descontrolado das células. Sua prevenção tem tomado uma dimensão importante no campo da ciência, uma vez que no Brasil, o câncer é a segunda causa de morte por doença, apenas superada pelas doenças cardiovasculares.
O desenvolvimento de um câncer resulta da interação entre fatores endógenos e ambientais. Acredita-se que cerca de 30% dos diversos tipos de câncer ocorrem em razão de dietas inadequadas, igualando-se ao tabaco. Acredite: uma dieta adequada poderia prevenir de três a quatro milhões de casos novos de cânceres a cada ano. O conhecimento popular a respeito do assunto é, infelizmente, muito limitado. Acredita- se, ainda, em alguns mitos, como que o câncer é, na maioria dos casos, causado pela predisposição genética, ou que medicina tradicional é o único recurso ao qual podemos apelar.

Principais causas de câncer:

 

cancer  “Alimentação e estilo de vida saudáveis permitem prevenir a maior parte dos cânceres e podem ser um instrumento complementar aos tratamentos convencionais para combater a doença”.

  • Um pouco de fisiopatologia:

O desenvolvimento do câncer divide-se em três etapas: iniciação, promoção e progressão. Todos os dias, centenas de mutações irreversíveis ocorrem no organismo. Elas podem ser provocadas pela exposição a substâncias cancerígenas (presentes em alimentos, no cigarro, em produtos químicos, etc.). Para que as células iniciadas tornem-se um tumor maligno, é necessário que elas driblem os mecanismos corporais de reparação e de eliminação de células defeituosas,  a fim de se engajarem num processo de expansão clonal (etapa de promoção). Quanto maior o número de células iniciadas, maior o risco de a doença progredir. A capacidade das células cancerígenas iniciais de vencer nossas defesas naturais e a dos tumores de formar metástases (etapa de progressão) depende de seu microambiente extracelular que, por sua vez, é fortemente influenciado pela alimentação que temos e pelo estilo de vida que levamos.

 

“A alimentação saudável fortalece o organismo para o tratamento e também ajuda a prevenir vários tipos de câncer.”

 

  • Alimentos funcionais

Alimentos funcionais ou nutracêuticos são alimentos que, além da função de nutrir, têm também a característica de reduzir o risco de doenças, isto é, um alimento que fornece benefícios para a saúde. Oposto aos benefícios dos alimentos funcionais existe os ANTINUTRIENTES, como frituras, soja, molhos com maionese, leite integral e derivados, presuntos, salsichas, temperos prontos, dentre outros.
Alguns alimentos contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, por exemplo, os nitritos e nitratos usados para conservação (como picles, salsichas, embutidos e enlatados), que se transformam em nitros aminas no estômago. As nitros aminas, que têm ação carcinogênica potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago, observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma frequente. Na soja também encontramos os antinutrientes: existem uns 5 tipos de substâncias na soja que podem ser tóxicas para os humanos, caso não sejam removidas por meio de processamento especial. As principais toxinas da soja são alergênicos, fitatos, inibidores de protease, genisteína, e groitogênicos (causadores do bócio, ou papo).
O relatório “Alimentação, Nutrição, Atividade Física e a Prevenção do Câncer: uma Perspectiva Global”, considerado pela The Economist em 2007 “o estudo mais rigoroso até hoje sobre a relação entre alimentação, atividade física e câncer”, examinou todas as evidências científicas que puderam ser encontradas no domínio em questão até o ano de 2006, (totalizando aproximadamente 500 mil estudos) para estabelecer criteriosamente dez recomendações. Veja algumas:

  1. Coma alimentos muito calóricos com pouca frequência e com moderação. Evite o consumo de bebidas com adição de açúcar, salgadinhos, biscoitinhos, bolos e doces e de fast foods (hambúrgueres, batatas fritas, as frituras).
  2. Alimente-se principalmente de frutas, verduras, legumes, leguminosas, raízes, tubérculos, grãos e cereais integrais. Dê preferência a produtos orgânicos, que contêm menos resíduos químicos. Hortaliças também podem ser consumidas com frutas na forma de suco; substitua açúcares (branco, dextrose) por adoçantes naturais (agave, Stevia, xilitol).
  3.  Evite ou elimine o consumo de carne processada. Prefira carnes orgânicas de animais alimentados a pasto ou com farinha de linhaça, pois não são deficientes em ômega 3 e derivam de animais criados sem hormônios ou antibióticos. O mesmo vale para ovos e manteiga.
  4.  Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas processadas com sal adicionado. Não use sal para conservar alimentos. Cozinhe usando pouco sal (prefira ervas aromáticas, especiarias e limão).

“Coma regularmente alimentos que constituem fontes singulares de moléculas anticâncer. Tenha em mente que uma dieta anticâncer deve ser diversificada.”

  • Principais alimentos potencialmente anticâncer:

Aliáceos (alho, cebola, alho-poró, cebolinha miúda, cebolinha francesa), alimentos ricos em ômega 3 (ameixa, azeite de oliva extravirgem, chá verde), chocolate amargo (sem açúcar com 70% ou mais de cacau), cúrcuma, curry, frutas cítricas (laranja, tangerina, toranja, limão), frutas vermelhas (framboesa, morango, mirtilo, amora), nectarina, pêssego, raiz de gengibre, suco de romã, tomate, vegetais crucíferos (brócolis, couve, couve-de-bruxelas, couve-da-china, couve-flor), vinho tinto (no máximo uma taça por dia).

 

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  •  Vitamina D:

Estudos indicam que menores níveis de vitamina D aumentam em até 70% as chances de morte por câncer. O trabalho foi realizado no Centro Alemão para Pesquisa em Câncer e divulgado no periódico British Medical Journal (BMJ).
A vitamina D pode ser encontrada em alguns alimentos e suplementos alimentares, como óleo de fígado de peixe, salmão, bacalhau, arenque, sardinha, atum, cogumelos e na gema de ovos. Porém, sua maior fonte é proveniente da síntese cutânea, a partir da adequada exposição à radiação ultravioleta B (UVB) da luz solar. A vitamina D é um potente inibidor da angiogênese e de processos inflamatórios, além de exercer ação inibitória do NFkB, que estimula atividade inflamatória.

  • Deficiência de Iodo:

O Iodo é essencial para o nosso metabolismo. É também um poderoso eliminador de toxinas do organismo e modulador do sistema imune. A sua deficiência está correlacionada com o risco de câncer de mama, próstata, endométrio, ovários, tireoide e estômago. Segundo o Conselho Internacional para o controle de transtornos de deficiência de iodo, apenas 74% da população brasileira tem acesso às quantidades mínimas necessárias para evitar os males da deficiência. A adição de 20 a 60 mg de iodo/quilo de sal é muito pouco. O Dr. Guy Abraham, uma das maiores autoridades mundiais na suplementação de Iodo, afirma que a Iodofobia médica pode ter causado mais sofrimento e morte humana que as duas grandes guerras juntas, deixando de prevenir patologias com doses diárias de Iodo necessárias para a otimização física e saúde mental.

  • Na abordagem ao câncer de mama merecem destaque os ácidos graxos poliinsaturado ômega 3, as fibras, vitaminas e minerais, cúrcuma/curry, indol-3-carbinol (encontrado naturalmente em vegetais crucíferos, como repolho, brócolis, couve-flor, couve de bruxelas e couve). (Há um post falando exclusivamente sobre o assunto).
  • Os laticínios (incluindo leite, queijos e sorvetes) são os maiores responsáveis pelo aumento do risco de desenvolvimento do câncer de próstata. Um estudo abrangeu um total de 293.888 participantes e foi conduzido em conjunto por três instituições de pesquisa (National Institutes of Health – NIH, AARP Diet e Health Study). Os resultados mostraram haver associação entre o aumento do risco de desenvolver câncer de próstata avançado e o consumo de duas ou mais porções de leite integral por dia. Estudos conduzidos pela Harvard School of Public Health, constataram a redução de um terço no risco de desenvolver câncer de próstata entre homens que frequentemente consomem tomates e outros alimentos ricos em licopeno.
  • Segundo Pratt & Mathews (2005), o brócolis é o vegetal mais poderoso contra o câncer de colo, especialmente entre as pessoas com idade superior a 65 anos e histórico de tabagismo. Por isso, se você já foi fumante, coma mais brócolis.
  • Os alimentos preservados em sal, como carne de sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde é comum o consumo desses alimentos, o que torna comum o uso de picles, defumados e alimentos preservados em sal.

 

Fonte:
– Instituto Nacional de Câncer: www1.inca.gov.br/conteudo.
-PRATT, S.; MATTHEWS, K.; Super alimentos. São Paulo: Prestígio, 2005.
-WORLD CANCER RESEARCH FUND; AMERICAN INSTITUTE FOR CANCER RESEARCH. Food, Nutrition, and the Prevention of Cancer: a Global Perspective. Londres: 2007. p. 62 (completo em http://anticancerproject.org/pt.pdf).
-O Projeto Câncer (www.cancerproject.org); Resumo. Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer. Uma perspectiva global. Tradução de Athayde Handson Tradutores. Rio de Janeiro, 2007, 12 p.
-bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentos_atividade_prevencao_cancer.pdf.
-Revista de Nutrição; Rev. Nutr. vol.17 no.4 Campinas Oct./Dec. 2004;Dieta e câncer: um enfoque epidemiológico; A. Garófolo et al.

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