TIREOIDE

“Meça a sua temperatura matinal por cinco dias. Se a média da temperatura estiver persistentemente abaixo de 36,5º Celsius, você pode ter uma disfunção de tireoide, e com isso, deverá procurar um profissional de saúde.” 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 300 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de disfunções na tireoide, mas metade delas não sabe disso. Os hormônios T3 e o T4 são sintetizados pela tireoide, que usa o iodo como matéria-prima; a sua secreção depende do estímulo do TSH, produzido pela hipófise. Os hormônios da tireoide são fundamentais na regulação da nossa disposição, humor e sono.  Por isso muitas vezes a falta dos hormônios, pode ser confundida com depressão, já que os sintomas podem ser parecidos – cansaço excessivo, sonolência e esquecimento. Por outro lado, o excesso de produção dos hormônios tireoidianos também causam irritabilidade e insônia, sendo confundido com ansiedade. As alterações do ritmo cardíaco, ou arritmias, associadas com o hormônio tireoidiano podem seguir sentidos opostos, de acordo com o excesso ou diminuição dos hormônios circulantes. Portanto, tanto o hipo quanto o hipertireoidismo terão interferência não só na frequência cardíaca, mas também no surgimento de arritmias cardíacas, com implicações na morbimortalidade.
Como a tireoide está envolvida em diversos processos metabólicos, as disfunções tireoidianas podem ser confundidas com diversas doenças, dificultando, muitas vezes, o diagnóstico e atrasando o tratamento adequado. Por isso a necessidade de consultas médicas periódicas.

Sinais que podem sugerir problema de tireoide:

• Alteração na frequência dos batimentos cardíacos, podendo haver taquicardia ou bradicardia, dependendo da alteração dos hormônios;
• Dores musculares e nas articulações;
• Síndrome do Túnel do Carpo, tendinites;
• Desconforto no pescoço;
• Aumento na tiroide, bócio, rouquidão, dor de garganta;
• Perda e alterações do cabelo, perda de parte das sobrancelhas;
• Alterações na pele, suor excessivo, aspereza, descamação;
• Constipação, diarreia, síndrome do intestino irritável, problemas intestinais, má digestão;
• Irregularidades menstruais, infertilidade, aborto recorrente;
• História na família de problemas de tireoide e doença autoimune;
• Colesterol elevado, especialmente quando não responde aos medicamentos, dieta e exercício;
• Depressão, alterações de humor, ansiedade, ataques de pânico;
• Mudanças inesperadas do peso, sem justificativa por alteração na dieta e/ou redução do exercício físico;
• Fadiga, exaustão, sono não reparador.

yi

O termo hipertireoidismo refere-se ao aumento da síntese e liberação dos hormônios tireoidianos pela glândula tireoide e tireotoxicose, a síndrome clínica decorrente do excesso de hormônios tireoidianos circulantes, secundário à hiperfunção da glândula tireoide ou não. A doença de Graves constitui a forma mais comum de hipertireoidismo (60%-80%), afetando principalmente as mulheres entre 40-60 anos. O excesso de hormônios tireoidianos pode levar ao desenvolvimento de complicações graves como insuficiência cardíaca congestiva, cardiomiopatia e arritmias, principalmente fibrilação atrial. Também está associado ao aumento da reabsorção óssea, elevação da excreção de cálcio e fósforo na urina e fezes, com consequente diminuição na densidade mineral óssea e risco de fraturas em mulheres idosas. As principais manifestações clinicas são emagrecimento mesmo com aumento da fome; taquicardia, tremores, irritabilidade, ansiedade, intolerância ao calor, insônia, etc.
No hipertireoidismo mesmo quando na forma mais leve da doença há 30% mais risco de morte por doença arterial coronariana, conforme estudo do Dr. Stephan Barisic Júnior e colaboradores – “Hipertireoidismo subclínico e o risco de doença cardíaca coronariana e de mortalidade”.

Já o hipotireoidismo tem como principal causa uma doença autoimune chamada tireoidite de Hashimoto, em que o próprio organismo produz anticorpos que destroem a glândula, diminuindo todo o metabolismo do corpo. Nesse caso, o corpo tenta “parar o indivíduo”, já que não há “combustível” para ser gasto. As principais manifestações clinicas são: Ganho de peso; diminuição da frequência cardíaca; cansaço e sono, intestino preso, variações de humor, pele ressecada, queda de cabelo. Sabe-se que no hipotireoidismo manifesto há elevações dos níveis de homocisteína (importante agente inflamatório e fator independente de risco para a doença cardiovascular). Vale lembrar que o exame laboratorial tireoidiano não substitui o BOM JULGAMENTO CLÍNICO. Os diagnósticos que buscam descobrir um possível quadro de hipotireoidismo são incompletos, a solicitação dos exames básicos (T3, T4 e TSH) NÃO são suficientes para tal quadro. Necessitaria solicitar exames mais complexos como dosagens vitamínicas, diagnosticar possível fadiga adrenal, má absorção dos hormônios da tireoide (mesmo com suas dosagens normais), Anti ATP, TBG, T3 reverso e Hormônios sexuais. Os sintomas manifestados pelo paciente são mais importantes que resultados laboratoriais.
Muitas pessoas fazem tratamento com T4 e não apresentam melhoras no seu quadro, visto que 50% das pessoas que fazem tratamento de hipotireoidismo não conseguem convertê-lo eficientemente (haverá uma melhora nos exames porém não apresentará alívio de sintomas) . Entretanto, a comunidade médica continua prescrevendo apenas T4 como medicação quando as pesquisas mostram claramente que ele não é eficaz para a maioria das pessoas. E, muitas vezes, estes T4 adicionais irão te fazer adquirir um hipotireoidismo ainda mais forte, o que é muito imprudente quando se trata de um tratamento tão importante. Isso ocorre principalmente porque esses tratamentos são movidos exclusivamente por interesses financeiros e NÃO pelos interesses dos pacientes que sofrem. Busque sempre uma orientação médica qualificada.
Fonte:
-Revisão Hipotireoidismo subclínico e risco cardiovascular; Autores: Patrícia de Fátima dos Santos Teixeira, Fabíola Alves Aarão Reis, Vaneska Spinelli Reuters, Cloyra Paiva de Almeida, Mário Vaisman;Publicação Oficial da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro.
-BARNES, B. Hypothyroidism: The unsuspected illness. Harper-Collins (1939)
-(*)“The Fatigue Solution”, 1 edition (March 15, 2012) – Dra. Eva Cwynar, médica, especialista em endocrinologia pela New York University School of Medicine.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *