Diabetes

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o Diabetes mellitus (DM) como uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou incapacidade da insulina exercer adequadamente suas ações. Os componentes metabólicos envolvidos no DM caracterizam-se não só pela hiperglicemia (excesso de glicose no sangue), mas também por alterações no metabolismo das proteínas e lipídios.
O DM constitui um dos mais sérios problemas de saúde na atualidade, tanto em relação ao número de pessoas afetadas, quanto aos custos envolvidos para o controle e tratamento das complicações.

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“O DM é considerado uma das principais doenças crônicas que afetam o homem contemporâneo e sua importância vem crescendo em decorrência de vários fatores, como mudanças de estilo de vida tradicional para moderno, inatividade física e principalmente a obesidade”

Em sua maioria, os casos de DM estão incluídos em duas principais categorias etiopatogênicas: o Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e o Diabetes mellitus tipo 2 (DM2):
•    Diabetes Tipo 1 – é resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células beta, levando à deficiência de insulina. O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido (alguns dias até poucos meses) de sintomas como sede, diurese (urina) e fome excessivas, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza.

•    Diabetes Tipo 2 – Nesta forma de diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isto vai levar à um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando não é mais possível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas – sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros – podem demorar vários anos até se apresentarem. Há, geralmente, associação com aumento de peso e obesidade, acometendo principalmente adultos a partir dos 50 anos. Contudo, observa-se, cada vez mais, o desenvolvimento do quadro em adultos jovens e até crianças. Esse fato se deve, principalmente, pelo aumento do consumo de gorduras e carboidratos, aliados à falta de atividade física. Assim, o endocrinologista tem, mais do que qualquer outro especialista, a chance de diagnosticar o diabetes em sua fase inicial, haja visto a grande quantidade de pacientes que procuram este profissional por problemas de obesidade.

FATORES DE RISCO:

•    Predisposição genética – Ter familiares com diabetes.
•    Obesidade – O sobrepeso é, talvez, o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Atualmente, mais de 90% dos diabéticos tipo 2 apresentam excesso de peso.
•    Gordura abdominal – O risco de diabetes é mais elevado nos indivíduos com obesidade central, ou seja, naqueles que acumulam gordura na barriga. Homens com um cintura maior que 102 cm e mulheres com cintura maior que 88 cm apresentam elevado risco (em alguns estudos tem sido considerado valores de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres).
•    Idade acima de 45 anos – Apesar de ser uma doença cada vez mais prevalente em jovens, o diabetes tipo 2 é mais comum em indivíduos acima de 45 anos. A queda na massa muscular e o aumento da gordura corporal desempenham papel importante nestes pacientes.
•    Sedentarismo – Um estilo de vida sedentário reduz o gasto de calorias, promove ganho de peso e aumenta o risco de diabetes tipo 2.
•    Cigarro – Indivíduos que fumam apresentam 40% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que não fumantes. Quanto mais tempo o paciente fuma e quanto maior for o número de maços consumidos por dia, maior é o risco. A associação do fumo com o diabetes é tão forte que são precisos 5 anos sem fumar para que o risco de diabetes comece a cair. E somente após 20 anos sem fumar é que o paciente volta a ter o mesmo risco de pessoas que nunca fumaram.
•    Dieta Inadequada – A dieta ocidental, baseada no consumo excessivo de  carnes processadas, alimentos industrializados, fast-food, doces, refrigerantes e farinha branca (pães e massas) está associada a um maior risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2.
•    Hipertensão – Paciente hipertensos apresentam maior risco de terem diabetes. A relação entre ambas as doenças é bem estreita, sendo uma fator de risco para a outra. Não se sabe se a hipertensão tem algum papel no desenvolvimento da doença ou se ela, por possuir muitos fatores de risco em comum, apenas aparece junto com o diabetes, sem relação de casualidade.
•    Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) –  Mulheres portadoras de SOP apresentam frequentemente resistência à insulina e, consequentemente, riscos de desenvolver diabetes tipo 2 .
•    Diabetes gestacional – O diabetes gestacional é um tipo de diabetes que surge durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto. Porém, mesmo com a normalização da glicose com o término da gravidez, estas pacientes passam a apresentar elevado risco de desenvolverem diabetes tipo 2 nos 10 anos seguintes à gravidez.
•    Uso de corticoides – Os corticoides são muito usados na prática médica, principalmente contra doenças de origem imunológica e/ou alérgica. Um dos efeitos colaterais comuns do uso prolongado de corticoides é o desenvolvimento de diabetes.

PRINCIPAIS SINTOMAS:

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COMPLICAÇÕES:
Quem tem “pré-diabetes” não apresenta os sintomas clássicos de diabetes: aumento da sede, do volume urinário e perda não explicada de peso. Porém, já possui maiores chances de apresentar problemas graves de saúde, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

“O diabetes mata mais do que o câncer e o HIV juntos. Silenciosa, a doença pode apresentar os primeiros sintomas apenas 15 anos depois de seu início”

As complicações crônicas do diabetes melito (DM) são as principais responsáveis pela morbidade e mortalidade dos pacientes diabéticos. As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte em pacientes diabéticos do tipo 2. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram significativa elevação da mortalidade de indivíduos com DM tipo 1 e 2 na presença de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS).
A Nefropatia Diabética acomete cerca de 40% dos pacientes diabéticos e é a principal causa de insuficiência renal em pacientes que ingressam em programas de diálise. A mortalidade dos pacientes diabéticos em programas de hemodiálise, é maior do que a dos não diabéticos.
A Retinopatia Diabética acomete cerca de 40% dos pacientes diabéticos e é a principal causa de cegueira em pacientes entre 25 e 74 anos. A maioria dos casos de cegueira pode ser evitada por meio de medidas adequadas, que incluem, além do controle da glicemia e da pressão arterial, a realização do diagnóstico em uma fase inicial e passível de intervenção.
Dados epidemiológicos brasileiros indicam que as amputações de membros inferiores ocorrem 100 vezes mais frequentemente em pacientes com DM. A grande maioria dos casos graves que necessita internação hospitalar, origina-se de úlceras superficiais ou de lesões pré-ulcerativas nos pés de pacientes diabéticos, com diminuição da sensibilidade por neuropatia diabética, associada a pequenos traumas, geralmente causadas por calçados inadequados, dermatoses comuns ou manipulações impróprias dos pés pelos pacientes ou por pessoas não habilitadas. O diagnóstico precoce pode reduzir em até 50% o risco de amputação.

PREVENÇÃO:
Dia 14 de novembro, comemoramos o Dia Mundial do Diabetes, um dos objetivos da campanha é alertar a população sobre a importância da prevenção do Diabetes.
A obesidade é um importante fator de risco para o diabetes tipo 2, sendo que, o paciente obeso possui três vezes mais chance para o desenvolvimento desta doença. Uma das melhores formas de prevenir o diabetes mellitus é perder peso – o importante é perder gordura (e não massa muscular), principalmente a gordura que fica por dentro da barriga (visceral).
As mudanças de estilo de vida são o primeiro passo para redução do peso corporal e controle dos valores da glicemia: reduzir as atividades sedentárias e aumentar a atividade física programada (musculação, corrida, natação) ou espontânea (por exemplo, subir escadas, não utilizar o carro para percorrer pequenas distâncias) é fundamental. A mudança na alimentação não deve ser realizada utilizando como base “dietas da moda”, é necessário orientações de profissionais qualificados e preparados para lidar com a doença.

“Programas de intervenção que promovem mudança no estilo de vida devem ser incentivados, no intuito de melhorar a qualidade de vida da população de risco e redução de custos para os serviços de saúde.”

Fonte:
1. M. Melo; Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia: acesso:http://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes-tipo-2/
2. Diabetes mellitus do tipo 2: Síndrome metabólica e modificação no estilo de vida;Portal educação;
acesso:http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/5499/diabetes-mellitus-do-tipo-2-sindrome-metabolica-e-modificacao-no-estilo-de-vida#ixzz3IgfzJCIR
3. J.L. Gross*, M. Nehme.Revista da Associação Médica Brasileira; vol.45 n.3 São Paulo July/Sept. 1999; Artigo Revisão; Detecção e tratamento das complicações crônicas do diabetes melito: Consenso da Sociedade Brasileira de Diabetes e Conselho Brasileiro de Oftalmologia;

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