Inflamação Crônica Subclínica

Um fator importante para o infarto do miocárdio 

Evidências clínicas e científicas atuais dão suporte ao novo conceito de que, pelo menos 90% das doenças do envelhecimento, são doenças definitivamente inflamatórias como a obesidade, o diabetes, a fibromialgia, as doenças cardiovasculares, as doenças neurodegenerativas, a depressão, as doenças autoimunes e os cânceres. A semelhança notável da fisiopatologia comum para tais condições se resume na INFLAMAÇÃO CRÔNICA SUBCLÍNICA, que danifica silenciosamente os tecidos durante um longo período, agindo como um verdadeiro assassino silencioso.

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O processo inflamatório agudo, aquele pontual e temporário com rubor, calor, edema, é essencial para a manutenção da saúde e da vida e é perfeito na forma como protege o corpo contra invasores virais e bacterianos. Porém, quando esse processo cronifica-se, compromete a saúde, pois serve de base para doenças e pode alterar a estrutura do DNA das células afetadas pelo processo inflamatório, que é mediado pelo estresse oxidativo (desequilíbrio entre os níveis de compostos pró-oxidantes e antioxidantes, com predomínio dos primeiros).

  • INFLAMAÇÃO CRÔNICA SUB-CLÍNICA X COLESTEROL: 

Você sabia que o Infarto do Miocárdio não é uma doença do colesterol e sim uma doença inflamatória? Sem a presença de inflamação no corpo, não há maneira que faça com que o colesterol se acumule nas paredes dos vasos sanguíneos e cause doenças cardíacas e derrames. Sem a inflamação, o colesterol se movimenta livremente por todo o corpo como a natureza determina.

O Colesterol compõe a membrana de todas as 75 trilhões de células de nosso corpo, é importante para síntese de Vitamina D, absorção de cálcio, produção biliar, produção de mielina (tecido cerebral) e é a base de formação de todos os nossos hormônios esteroides. Portanto, sem colesterol não existiriam hormônios sexuais, hormônios corticoides, entre outros.

O estresse oxidativo, causado pela inflamação crônica, gera efeitos sobre a estrutura e a função do miocárdio (músculo do coração), como a estimulação da hipertrofia cardíaca e a apoptose de miócitos, de forma a contribuir para a remodelação cardíaca, as alterações nas concentrações intracelulares de cálcio iônico a expressão e/ou atividade de proteínas carreadoras de cálcio, favorecendo a ocorrência de disfunções contráteis na Insuficiência Cardíaca.
A associação entre o excesso de espécies reativas de oxigênio (EROs) e doenças inflamatórias, doenças autoimunes, aterosclerose e doenças neurológicas degenerativas é o mecanismo de injúria celular mais aceito para explicar estas condições. O estresse oxidativo está frequentemente associado a diferentes tipos de doenças, embora não seja fácil identificar se é a causa ou a consequência da condição observada. Em situações em que a produção de espécies reativas do oxigênio supera os sistemas de defesa antioxidante, estas EROs em excesso podem oxidar lipídios de membrana, desnaturar proteínas e atacar ácido nucleicos, o que constitui a base molecular de diversas doenças com envolvimento inflamatório. De fato, temos que enxergar que baixar os níveis de colesterol por si só não está resolvendo e não está diminuindo o risco de infarto.

  • OBESIDADE X INFLAMAÇÃO CRONICA: 

O tecido adiposo secreta ativamente diversas citocinas pró-inflamatórias. Assim, a associação entre o grau da obesidade e a inflamação é esperada. Sabe-se que, atualmente, estamos vivenciando uma epidemia de inflamação subclínica de origem alimentar. Esse processo é mediado, em parte, pelo estresse oxidativo e por citocinas pró-inflamatórias, já que alimentos inflamatórios são os grandes vilões responsáveis pelo desequilíbrio metabólico do nosso organismo, como açúcares refinados, glúten, leite e seus derivados, farinhas brancas, etc.
Felizmente, o campo da saúde está cada vez mais consciente da importância dos radicais livres e do estresse oxidativo. Seu rastreio e monitorização torna-se um teste importante, considerando ainda que, não há sintomas ESPECÍFICOS desta condição. Para essa investigação utilizamos as proteínas inflamatórias de fase aguda, uma vez que pequenos aumentos em sua produção estão associados a um aumento no risco de doença cardiovascular. São exemplos: PCR, a alfa1 glicoproteina ácida (a1-GPA) é uma proteína de fase aguda, cuja secreção é regulada pela interleucina 1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6) e do fator de necrose tumoral-a (TNF-a), importantes mediadores da resposta inflamatória e imune. Observamos assim que o processo inflamatório é uma reação muito complexa, no qual os marcadores mencionados parecem desempenhar vários papéis e seguir diversos caminhos metabólicos.

  •  INTERLEUCINA-6 (IL-6)

A IL-6 é uma citocina pró-inflamatória, envolvida no desenvolvimento da hiperinsulinemia e na Síndrome Metabólica, pois desempenha papel importante no metabolismo de carboidratos e lipídios. Em mulheres com IMC > 28,3 kg/m2, níveis deste marcador foram encontrados com valores quatro vezes maior que o de mulheres com IMC inferior, levando a risco relativo quatro vezes para a hiperinsulinemia.

  • PCR: 

Seus níveis estão aumentados em resposta às infecções ativas ou ao processo inflamatório agudo. Elevações modestas dos níveis de PCR estão também presentes em situações crônicas inflamatórias, como a aterosclerose. Seus níveis, aproximadamente, triplicam na presença de risco de doenças vasculares periféricas. Dessa forma, tem sido descrito pela literatura a capacidade de a PCR predizer eventos cardiovasculares. Como podem ser observado nos dados do Physicians Health Study, aqueles indivíduos com altos níveis de PCR, independentes do nível de dislipidemia, apresentaram grande risco de sofrer infarto agudo do miocárdio. A PCR ultrassensível atinge níveis elevados no soro de pacientes com grave lesão cerebral e pode, portanto, ser usado como um índice inflamatório nestes casos.

  •  Mas quais são os maiores culpados da inflamação crônica? 

Sedentarismo, estresse, tabagismo, poluição ambiental, infecções crônicas e principalmente má alimentação – a sobrecarga de carboidratos altamente processados (açúcar, farinha branca e todos os produtos fabricados a partir deles) – e o excesso de consumo de óleos de canola, soja, milho e girassol (gerando uma desproporção entre o consumo de gordura poli-insaturada Ômega6/Ômega 3).
Certamente, a inflamação crônica subclinica pode ser controlada por meio da modulação hormonal, com otimização dos hormônios, adequação dos valores das proteínas de fase aguda, administração de nutraceuticos que reforçam os mecanismos antioxidantes do organismo, pratica de atividade física regular e redução do estresse oxidativo molecular com a inclusão na dieta de alimentos anti-inflamatórios, como vitaminas A, E e C, além de selênio, magnésio e zinco. Devemos evitar o consumo de açúcar refinado (doces, produtos processados). A ingesta de frutas, legumes e verduras frescas, de preferência orgânicos (sem agrotóxicos) diariamente, é uma ótima medida para reprogramar epigeneticamente a saúde, no nível celular. O equilíbrio emocional é essencial na prevenção de danos às estruturas celulares. O excesso de cortisol, que é o hormônio responsável pela resposta do organismo ao estresse, sobretudo de forma crônica, inicia e mantém os processos inflamatórios que serão a base para as doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, câncer, obesidade, depressão, insônia, baixa libido, fadiga crônica,fibromialgia, etc.

Baseado em:
-Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia: Capacidade dos biomarcadores inflamatórios em predizer a síndrome metabólica. Ana Carolina P. Volp; Rita G. Alfenas; Neuza B. Costa; Valéria R. Minim; Paulo Stringueta; Josefina Bressan. vol.52 no.3 São Paulo Apr. 2008.
– Revista Ciência Farmàcia Básica: Alterações metabólicas e inflamatórias em condições de estresse oxidativo: José Carlos Vellosa; Gisele Parabocz; Francine Manente; Josilaine Ribas; Liliane Lima. Apl., 2013.

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