SOP - Sindrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a mais prevalente desordem endocrinológica nas mulheres em idade reprodutiva. Essa síndrome é classicamente caracterizada por anovulação crônica, oligoamenorreia (ciclos menstruais irregulares e infrequentes), hiperandrogenismo (com hirsutismo, aumento do pelo corporal, acne, pele oleosa, queda de cabelo), infertilidade e ovários com múltiplos cistos – lembrando que não necessariamente ocorrem todos esses itens. Além disso, estudos mostram que mais da metade das mulheres com SOP são obesas. Em 2013, um painel de experts da NHI (National Health Institute – Instituto Nacional de Saúde) afirmou que o termo SOP é confuso. Então, eles pediram pela renomeação do termo. O nome SOP foca-se na morfologia do ovário policístico – que não é necessário e nem suficiente para diagnosticar a síndrome. “É hora de atribuir um nome que reflita as complexas interações metabólicas, hormonais, hipotalâmicas, pituitárias, ovarianas e adrenais que caracterizam SOP.”

Como ocorre a SOP?

A patogenia da doença é complexa, multigênica, caracterizada por disfunções na liberação e no feedback hormonal. A hiperinsulinemia, resultante da resistência insulínica, representa o papel mais importante na patogenia da SOP, pois a insulina em excesso aumenta a secreção de LH pela hipófise, contribuindo para a anovulação, e diminui os níveis de SHBG (sex hormone-binding globulin), levando a altas concentrações de testosterona circulante e dehidroepiandrosterona (DHEA). Esse aumento do LH conduz a hiperplasia e ao aumento da síntese de androgênio intra-ovariano, o qual irá causar atresia folicular e espessamento da sua cápsula. Essas alterações, juntamente com o acúmulo de folículos císticos na sua periferia, irão causar o aspecto policístico e aumento de volume dos ovários. O excesso de andrógeno altera a relação de regulação dos hormônios femininos, resultando em níveis de estrógenos aumentados, irregularidade menstrual, infertilidade, acne, hirsutismo, etc. Sendo assim, não são os ovários que precisam de tratamento, e sim a condição hormonal ou metabólica subjacente.

Manifestações Clínicas: 

  • Relacionadas ao hiperandrogenismo: existe um amplo espectro de manifestações, que variam de acne, oleosidade e hirsutismo definido como crescimento excessivo de pelos terminais.
  • Infertilidade: a SOP é a causa mais comum de infertilidade feminina. Muitas mulheres com SOP tem ovulação infrequente ou inexistente, o que é um problema na hora de engravidar. SOP está também associada com aborto espontâneo e pré-eclâmpsia. Muitas mulheres portadoras da SOP não procuram assistência médica até tentarem engravidar, pois esta seria a primeira vez que não estariam fazendo uso de contraceptivos hormonais, que haviam mascarado os sintomas até então.
  •  Relacionadas à obesidade: Cerca de 65% das mulheres com SOP estão em sobrepeso ou obesas. A distribuição de gordura é frequentemente abdominal (visceral) e associada à anormalidades metabólicas (hipertensão, dislipidemia, resistência insulínica e intolerância à glicose). O diagnóstico em adolescentes tem aumentado, devido ao crescente número de adolescentes obesas.

     

  • Acantose nigricans: é uma cor escura, mal definida, hiperpigmentação aveludada encontrada na nuca, axilas, parte interna das coxas, vulva e sob as mamas. Esta é uma condição da resistência à insulina.
  • Como a SOP está fortemente associada com desordens metabólicas, tais como a síndrome metabólica e a resistência à insulina (que gera o hiperinsulinemismo compensatório), implica no aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, dislipidemia e doenças cardiovasculares.

Diagnóstico:
O diagnóstico é firmado na presença de dois dos três fatores seguintes: anovulação crônica, sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e presença de padrão ultra-sonográfico ovariano policístico.

Tratamento:
O tratamento com dieta, atividade física e mudança de hábito de vida deve ser orientado a pacientes com SOP, pois melhora praticamente todos os seus parâmetros relacionados à composição corporal, metabólicos, cardiovasculares e hormonais, função reprodutiva e sensibilidade à insulina.
Com exercício e dieta, mulheres com SOP atingem melhora na sensibilidade à insulina, diminuição da insulina basal e redução do nível de hormônio luteinizante (LH). Sabendo que a resistência à insulina exerce um papel chave na fisiopatologia da SOP, a redução na quantidade de carboidratos, com dieta low-carb, com menor quantidade de carboidrato, evitamos a hiperinsulinemia e toda a cascata que desencadeia os sintomas da SOP. Isso é, tratamos a causa da doença.
Por isso, é facilmente compreensível que os tratamentos abordados pela medicina convencional, por bloqueio de hormônios (uso de anticoncepcionais) ou drogas redutoras de insulina não funcionam por muito tempo – essas abordagens não tratam a causa do problema, suprimem apenas os sintomas e de forma temporária, sem falar dos efeitos colaterais desagradáveis. A pílula anticoncepcional não é um remédio, mas um veneno. Ela não cura um organismo doente. Ao contrário, ela faz com que o ovário – que está funcionando bem – pare de funcionar. O que o anticoncepcional faz é enganar a hipófise, dando-lhe uma mensagem falsa de gravidez. Enganada por essa mensagem, a mulher para de ovular. Deixando de produzir um óvulo, ela deixa de conceber. São remédios de hormônios considerados potencialmente cancerígenos pela OMS, além de prejudicarem a tireoide, provocarem efeitos de retenção líquidos, inflamação crônica, celulite, entre muitos outros problemas.
No tratamento para SOP utilizamos também: Saw Palmetto, suplementação com zinco, magnésio, vitaminas, Selênio, Magnésio, Zinco, Manganês, Resveratrol, Coenzima Q10, crisina e, em alguns casos, metformina.

Baseado em:
-Artigo de Revisão: Modificações do estilo de vida na síndrome dos ovários policísticos: papel do exercício físico e importância da abordagem multidisciplinar. George Dantas de Azevedo et al. Grupo de Pesquisa Saúde da Mulher da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal.
-Os Efeitos de uma Dieta Low-Carb Sobre a Insulina Podem Aliviar a Síndrome Ovariana. By Kristina Fiore, Staff Writer. Reviewed by F. Perry Wilson, MD, MSCE; Instructor of Medicine, Perelman School of Medicine at the University of Pennsylvania and Dorothy Caputo.2013

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